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Casamento Judaico: conheça todas as tradições para a cerimônia e festa

Cada país e religião têm seus costumes e rituais e, o Brasil, como um país que recebe pessoas de diversas regiões do mundo, tem eles muito bem representados. Um desses costumes é o casamento judaico.

O casamento judaico é um dos poucos que se assemelham ao casamento tradicional brasileiro, porém no judaísmo esse é o momento em que o homem se torna completo, em um nível espiritual.

Mesmo com o passar dos anos e até mesmo séculos, os judeus ainda mantém o casamento, ou chatuna (חתונה),  da mesma maneira e alguns rituais interessantes. 

Se você tinha alguma dúvida de como era realizado um casamento hebreu, continue a leitura e descubra suas tradições!

As particularidades do casamento judaico

Todo casamento tem sua preparação que pode durar meses e até anos, e no casamento judaico isso não é diferente!

O momento de escolha do vestido, rituais que o noivo deve seguir e até mesmo a comida precisam ser combinadas de acordo com a cultura e por isso tempo e muita dedicação são necessários.

Antes da cerimônia

Os noivos

Antes de mais nada, é importante deixar claro que um casamento judeu é realizado exclusivamente entre noivos judeus, de preferência nascidos judeus.

Não é permitido o casamento entre judeus com não judeus, por outro lado, existe a possibilidade de conversão, desde que a vontade de se tornar judeu seja genuína e não apenas para cumprir as regras do casamento.

Para isso a pessoa precisa passar pela Giyur que são três etapas: circuncisão (para homens); micvê e aceitação de todos os 613 preceitos.

Esse processo é realizado por um tribunal composto por 3 rabinos que seguem todos os preceitos.

O contrato do noivado

No judaísmo é feito um contrato (tenaim) antes da cerimônia do casamento, que são redigidos em um texto padrão e assinado pelos noivos e duas testemunhas.

As testemunhas precisam ser homens adultos, judeus e não deve ser parentes entre si (nem por sangue ou agregados, como cunhados) ou dos noivos.

Geralmente é feito com antecedência, mas também podem ser feitos antes da chupá, e, na Calabat Panim, são lidos e assinados.

A quebra do prato

Essa cerimônia é bem conhecida por até mesmo quem não é da religião.

A quebra do prato de porcelana é feita pelas mães dos noivos e simboliza que, assim como a porcelana nunca pode ser consertada, o contrato do noivado deve ser bem cuidado para que não se quebre e suas consequências sejam irreparáveis.

Data

Não existe um mês específico para que o casamento seja realizado, porém os noivos precisam respeitar alguns costumes como:

  • A cerimônia não pode ser realizada no sábado judaico, que se inicia com o pôr-do-sol da sexta-feira e vai até o anoitecer de sábado.
  • Também deve-se evitar datas comemorativas como o Ano Novo Judaico e a época da Pessach, já que é uma época triste para a comunidade: esses dias servem para a reflexão e não podem dançar, beber ou ter músicas em festas.

Uruf

Esse é um momento muito importante para o noivo, pois é quando ele vai até sua sinagoga para contar para sua congregação a respeito da proximidade do casamento.

Em oração, ele pede forças e bênçãos para ter um bom casamento, que as famílias fiquem unidas e, entre os mais religiosos, o noivo recebe um banho de doces pelos membros mais jovens.

Além disso, é nesse momento que é realizada a Kiddush, que é quando o noivo realiza a entrega de comida e vinhos aos fiéis, que devem ser consumidos no mesmo dia pelos noivos e familiares.

Vestido

Assim como para noivas de outras religiões, a noiva judaica também passa pelo momento emocionante de escolher o seu próprio vestido. 

Porém, ela deve seguir a traição e vestir sempre um de cor branca.

Com relação aos modelos, a noiva judaica não pode vestir um com decote, tomara que caia e devem ter mangas, de preferência longas, o que era obrigatório até algum tempo atrás. Hoje em dia já é comum noivas com vestidos de mangas curtas.

O buquê pode ser escolhido de acordo com a vontade da noiva, com flores e do modelo que ela deseja.

Escolha das alianças

A aliança tem um significado muito profundo no casamento judaico: ela simboliza um elo eterno e inquebrável, sem emendas ou fim de um casal, a confiança, lealdade e proteção pelo resto da sua vida.

Ela precisa ser feita de ouro, fina e simples, sem pedras ou inscrições ( no dia da cerimônia, depois pode ser gravado o nome do cônjuge e a data, como é bastante comum.

Outra diferença é o dedo onde os judeus usam aliança de casamento:  deve ser colocada no dedo indicador da mão da noiva (se ela for destra, na mão direita e se ela for canhota, na esquerda).

A semana anterior

É muito comum os noivos não se encontrarem no dia do casamento, mas no casamento judaico o costume é reservar a semana anterior sem se encontrarem. 

Muitos só se vêm na hora da cerimônia.

Micvê

Esse é um ritual bem lindo e repleto de significados interessantes: o micvê é um banho que os noivos devem fazer separados para purificar corpo e alma.

O casamento significa que os dois estão unidos por corpo e alma e o micvê é responsável por atrair bençãos para a formação da nova família, por isso também é indicado que esse ritual aconteça uma vez por mês, após o casamento.

No dia do casamento

O contrato de casamento

Conhecido como Ketubá, o contrato de casamento define as responsabilidades do esposo com a esposa, como direitos conjugais, manutenção e provisão da casa. 

É um momento importante pois assim os noivos enxergam o casamento como algo além da união física e espiritual, mas um compromisso que deve ser cumprido e também como uma instituição que precisa dos dois para que funcione.

Assim como no contrato de noivado, a Ketubá precisa de dois homens judeus como testemunhas, para assegurar que a tradição judaica seja seguida, além de garantirem que ocorra na legalidade.

No grande dia

Para a comunidade judaica, o dia do casamento é considerado o dia do perdão. 

É um meio de Deus perdoar os noivos e os purificarem para uma nova vida juntos, limpos de qualquer pecado.

Essa purificação ocorre por meio do jejum e orações que ocorrem nas horas que antecedem o casamento.

Nada nos bolsos

Além do jejum simbolizando a purificação, é costume no casamento judaico que os noivos não carreguem nada nos bolsos, nem utilizem joias.

Esse ato é importante para demonstrar a pureza dessa nova fase e o desprendimento dos bens materiais.

Cabalat Panim

Os noivos são recepcionados por amigos, parentes e convidados, separadamente, em uma cerimônia chamada Calabat Panim, que é o início da celebração do casamento.

No judaísmo acreditam que em certas ocasiões, Deus podem escutar melhor as preces e o casamento é esse momento para os noivos. 

Algumas pessoas pedem aos noivos que rezem por algum parente ou amigo em sofrimento ou que necessitem de algo, como um trabalho, gravidez ou casamento.

Noivo

Ao caminhar para a chupá, o noivo faz uma parada onde vestirá o seu manto branco, o Kitel, então termina seu caminho junto à noiva e as mães dos noivos.

O Kitel também é utilizado em outra cerimônia, o Yom Kipur e serve como mortalha, para lembrar e fazê-lo refletir acerca de sua mortalidade e também pensar na morte e como o casamento deve estar firme até seus últimos dias.

Além disso, o Kitel serve para fazer com o que o noivo lembre de não cometer pecados e pense em Deus.

Noiva

Logo após a entrada do noivo, a noiva é levada ao altar pelo pai com o rosto descoberto e, ao chegar perto do noivo, ele é coberto pelo véu.

Conduzida pela mãe e pela sogra, ela dá sete voltas ao redor do noivo, que simbolizam os dias da criação do mundo e também o alicerce do lar que ela construirá com o seu noivo.

Em seguida, ela fica ao lado do noivo , representando a nova caminhada do casal e sua presença pelo resto da sua vida ao lado do marido.

Chupá ou Khupá (Lê-se Rupá)

O casamento judaico  não precisa ser necessariamente realizado em uma sinagoga, já que não é necessário um líder religioso conduzi-la, a exigência é que seja alguém muito próximo ou um familiar mais velho e sábio a realizá-la.

A cerimônia acontece em uma tenda com quatro pilares, com os lados todos abertos. A chupá simboliza o tempo: passado, presente, futuro e o novo lar e família que os noivos estão formando.

Os noivos, familiares, amigos mais próximo e o realizador, que é quem os abençoará, ficam dentro da chupá. Não é costume ter padrinhos e madrinhas, as testemunhas são os familiares do noivo.

Kipá e Talit

São peças usadas pelos noivos e que simboliza o poder e a grandeza de um Deus todo poderoso, que deve ser amado, temido e respeitado.

Além de lembrar que todos são meros mortais e devem seguir os mandamentos de Deus.

Essas peças não podem ficar com os noivos, por isso os familiares devem recolhê-las e guardar após o uso.

Taça de vinho

O vinho é uma bebida importante na tradição judaica: é símbolo da alegria, festividades tradicionais e também da reza de santificação do Shabat.

Durante a cerimônia e festa são utilizadas duas taças de vinho e os noivos sempre tomam a bebida na mesma taça para simbolizar a partilha total da sua vida.

Votos de casamento

A troca de votos de um casamento hebreu ocorre principalmente em casamentos de judeus não ortodoxos: são feitos com frases curtas e ditos após os noivos beberem o vinho.

Por outro lado, para judeus ortodoxos, a troca de votos não existe a prática da troca de votos, pois nunca fez parte da tradição antiga e estes seguem todas as tradições.

Quebra das taças

Outro costume bastante conhecido de um casamento judaico é a quebra das taças: ela ocorre ao fim da festa, pelos pés, e simbolizam a represália à destruição do templo de Jerusalém.

Este é um momento no qual todos estão em silêncio e, logo após a quebra, os convidados pronunciam “Mazel Tov” desejando boa sorte ao novo casal.

Festa

Após uma cerimônia cheia de emoção, as festas judaicas costumam ser bem animadas, com muitas bençãos, danças, simbolismos e o famoso levantar de cadeiras, no qual os noivos são levantados pelos convidados.

Antigamente, nos tradicionais casamentos hebreus, o salão era dividido para que homens e mulheres não tivessem contato, porém, hoje em dia muitos casais deixam esse costume de lado.

Comida

A comida é um assunto muito importante, pois eles seguem à risca uma série de regras que deve ser respeitada em todos os dias, inclusive em um casamento judeu.

A comida Kosher é essa que eles podem comer e que seguem todos os requisitos: nada de carne de porco, frutos do mar (exceto peixe com escamas), coelho, cavalo e camelo, devido a versículos e capítulos na Torá. 

Além disso, não podem misturar leite (ou derivados) com carne e para que isso não aconteça, todos os talheres são esterilizados e lacrados. 

Na preparação é necessária a supervisão rabínica, que acenderão o fogo (deve ser feito por um homem), fiscalizarão, orientarão a manipulação, produção e distribuição dos alimentos.

Música

A noiva pode entrar com a tradicional marcha nupcial ou outra música que desejar, porém o mais comum e indicado é o uso da música tradicional Boi Beshalom, que significa “Vá em paz”.

Além disso, as músicas tocadas na cerimônia e festa são religiosas e com mensagens preciosas para todos que ali estão.

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